Quando Deus queria... do norte chovia
A prociss?o do Corpo de Deus, em Lisboa, era talvez a festa religiosa mais solemne da cidade. Nossos avós, e sobre tudo nossas avós, preparavam-se para ella mezes antes, e nas vesperas do grande dia as costureiras, os alfayates, e os cabelleireiros viam-se doidos com as impertinencias, recados, e instancias. é que todas as sumptuosidades da mobilia, toda a prata mareada das baixellas, todo o recheio das arcas e armarios tinha de apparecer e luzir n'aquella bem vinda festividade, que abria as portas das casas e o seio das familias a uma verdadeira inunda??o de visitas, de conhecidos, e de curiosos. As janellas das ruas, por onde passava o prestito do bemaventurado S. Jorge, santo cavalleiro e general ao servi?o de Portugal desde os tempos heroicos de el-rei D. Jo?o I, em odio a Castella e como pirra?a ao senhor Santiago, convertiam-se em outros tantos camarotes armados de sanefas e list?es de purpura nas vergas e ombreiras, forrados de colchas da India e de cobertas de seda da China.
O copo de agua, que era costume offerecer aos convidados, despejava as lojas mais sortidas dos confeiteiros e conserveiros da moda. O jantar, ao qual se assentavam os hospedes mais aceitos, só com a vista fartaria a gula mais faminta. As galas devotas espertavam a emula??o, e as bolsas mais discretas e apertadas n?o se negavam por excep??o aos maiores sacrificios para que vestidos, joias, e toucados brilhassem ao menos uma vez no anno com esplendor digno da vaidade e ufania de seus donos.
Instituida por Urbano IV, em 1264, na primeira quinta feira depois da festa da Trindade, afim de solemnizar o culto particular do Santissimo Sacramento, confirmada e ampliada por muitos Papas, a prociss?o do Corpo de Deus f?ra sempre feita em Portugal com fausto e inven??es notaveis nas terras principaes do reino. O brutesco acompanhamento, que a seguia na meia edade, e ainda no seculo XVI, tornava-a ao mesmo tempo um acto religioso e um espectaculo profano. A imagina??o popular de nada se esquecia para que ella fosse unica e singular pela extravagancia das figuras e pela riqueza ostentada pelas corpora??es mechanicas em competencia e rivalidade umas com as outras. As naus e galés dos carpinteiros e calafates da Ribeira das naus, os anjos e gigantes dos merceeiros e boticarios, a torre e a serpe dos alfayates, o sagitario dos armeiros, uma nuvem de demonios de todos os feitios, e mil outras representa??es entresachadas de dan?as e folias, no meio das musicas mais desvairadas e dos instrumentos mais oppostos, como gaitas de folles, tambores, pandeiros, violas, córos de donzellas, flautas, e do?ainas pastoris, tudo isto compunha, variava, e confundia o cortejo, o qual consumia quasi o dia todo nas ruas apinhadas de povo, e alegradas de alecrins e rosmaninhos.
O senhor D. Jo?o V, o Salom?o portuguez, creando a patriarchal em 1717, n?o omittiu em sua liberalidade a festa mais pomposa da c?rte, e com espiritos regiamente devotos modificou o plano e accessorios da famosa prociss?o. Este grande acto inspirou a um dos mais respeitosos admiradores do prodigioso genio de sua magestade, a um dos eruditos irm?os Barbosas, um volume em folio de 240 paginas, obra monumental, que attesta ao mesmo passo a importancia do assumpto e a profunda philosophia do auctor. N'este livro, curioso em muitos trechos pelas noticias, que encerra ácerca da capital nos principios do seculo XVIII, veem narradas com escrupulosa miudeza as circumstancias, que mais preocuparam o augusto reformador e os seus conselheiros circa sacra. El-rei com m?o firme supprimiu do solemne acto as figuras, e as dan?as, mas empalideceu talvez com o arrojo. O golpe era temerario. O povo a tudo indifferente, em materia de recrea??o ao Divino era zeloso e irritavel como um tribuno da plebe dos nossos dias.
As chacotas, os andores, o baile das espadas, e a folia dos moleiros, por entre as visagens dos diabos sarapintados, e os uivos e bramidos das féras de papell?o, serviam-lhe de opera comica, e foi necessaria grande firmeza de vontade, e toda a sabedoria de sua magestade, instruida pela sua larga experiencia das confrarias e irmandades, para o obrigar a contentar-se com os arcos, medalhas, columnas e louros, que ornavam o pa?o e as ruas do transito, e com a magra e dolorosa substitui??o de um anjo vestido de brocado, com suas azas de cambraia tesas de gomma e chapins altos, unico personagem, que sobreviveu de todos os vistosos e engra?ados momos, que distraíam d'antes a prociss?o com seus esgares e jogralidades.
A ausencia da c?rte e da nobreza, a tristeza impaciente causada pelo jugo estrangeiro, e o receio, que vozes vagas faziam conceber de alguma explos?o popular, n?o diminuiam, apesar d'isso, o alvoro?o, nem a concorrencia.
No palacio do governo as apprehens?es eram mais vivas. Lagarde recebia de momento para momento avisos assustadores, e lia-os sobresaltado aos collegas. Herman meneava a cabe?a com ar incredulo. Junot sorria-se e encolhia os hombros. A frivolidade do seu espirito e os arrebatamentos do seu genio n?o lhe offuscavam todavia a penetra??o natural. Conhecia e despresava as murmura??es do vulgo, e confiava no seu valor, e no das tropas que lhe obedeciam. Sabia que as linguas e as amea?as eram mais intrepidas, do que as ac??es. Além d'isto o plano innocente dos honrados conspiradores de toga e rabicho tinha ferido o seu amor proprio, e por nenhum caso admittia que se julgasse, que elle queria furtar-se ás ciladas e assaltos theoricos do Conselho Conservador. ?O perigo, exclamou, depois de larga discuss?o, vem do mar com os inglezes; está nas serras e desfiladeiros do norte com os camponezes armados! O que rosnam, ou vociferam aqui mercieiros obesos, frades apopleticos, e desembargadores tropegos, n?o vale uma escorva. O galope de um esquadr?o seria de mais para os metter pelo ch?o abaixo. Lisboa n?o é Paris.?
Lagarde suspirava, o ministro da guerra e da marinha limpava os vidros dos oculos, e o conde da Ega affectava ar heroico para n?o desmentir o elevado conceito, que suppunha merecer ao duque de Abrantes. O conselho dilatou-se, e terminou já pela noite dentro, dois dias antes da ceremonia, com uma transac??o digna da prudencia insidiosa do intendente geral da policia. N?o podendo alcan?ar que a prociss?o n?o saisse, Lagarde obteve ao menos que Junot a n?o acompanhasse, pegando ás varas do pallio, mas que se resignasse a vel-a passar da varanda do palacio da inquisi??o para, dizia o astucioso magistrado, n?o estimular a saudade e o ciume dos portuguezes, os quaes de certo se aggravariam se elle occupasse o lugar do principe regente e os ministros francezes o dos fidalgos expatriados!
O general em chefe resistiu, porém cedeu. Receando que o accusassem de um rasgo de vaidade nescia, e que a ostenta??o da sua pessoa désse armas aos inimigos, n?o podia negar, egualmente, que, fóra do cortejo, lhe seria mais facil accudir para atalhar qualquer emo??o provocada entre as multid?es, que se acotovellavam, riam, e chasqueavam nas pra?as, e travessas da capital.
Dispostas assim as cousas, amanheceu o appetecido dia. Os regimentos francezes ás quatro horas da madrugada formaram no Passeio publico, e a alegria marcial das musicas annunciou á cidade a grande solemnidade. Os raios do sol principiavam a beijar as grimpas dos telhados e as cruzes dos campanarios. As senhoras, que mal tinham repousado, sentadas em cadeiras, para n?o arrepiarem a symetria laboriosa dos toucados, come?avam a enfeitar-se com as ricas modas escolhidas para esta occasi?o. As janellas, armadas como templos, guarneciam-se de damas e cavalheiros, mais curiosos ainda de se mostrarem, e de serem vistos, do que de gozarem o espectaculo, que servia de pretexto á reuni?o.
Nas ruas, areadas e cobertas de espadanas e flores, enxameiava com zumbidos cada vez mais fortes a primeira irrup??o de abelhas matutinas, saída do corti?o popular com os arreboes da aurora. A véstia de abas e o cal??o curto do saloio contrastavam tanto com a jaqueta de ramagem do campino, como o len?o e a capa das mulheres da cidade com as roupinhas a saia vermelha, e a carapu?a das matreiras filhas de Friellas e Alcabideche. A pouco e pouco os enxames engrossaram, as mangas de povo cresceram, os zumbidos converteram-se em borborinho, e por entre as alas de tropas postadas desde S. Domingos até ao Terreiro do Pa?o, entrou a avultar, colleando similhante a serpe gigantesca e monstruosa, o immenso concurso, que esperava a prociss?o, e cujo sussurro perenne era cortado, ou avivado a miudo, por vaias brutescas, por estridulos preg?es, e pelas corridas e contendas de algum Ad?o menos soffrido, que os gritos e queixas da sua Eva expunham aos apupos e sorriadas da plebe.
Os repiques festivos dos sinos nas torres das parochias e conventos despenhavam sobre a cidade um verdadeiro alarido de notas metalicas, imitando com arte mais, ou menos bo?al os cantos e melodias em voga nas serenatas e nas operas. A esta matinada pouco harmoniosa, e assás impertinente, rebate estrondoso do sagrado alvoro?o das freguezias e communidades, respondiam as salvas do castello, dos navios, e das fortalezas. O jubilo espiritual da popula??o traduzia-se em pragas, exclama??es, e algazarras, em que n?o eram poupados pelo patriotismo escandecido dos zelosos os soldados de Napole?o, firmes e silenciosos como estatuas em seus pedestaes. Rebentaram gritos de alegria, moveu-se maior tropel de povo, e ondas encontradas, impellindo-se e remoinhando no adro de S. Domingos e no Rocio, deram o signal de que o prestito transpunha, emfim, os umbraes do templo.
As bandeiras dos officios, na figura de grandes paineis suspensos de cord?es de seda em compridas varas, tremulavam na testa do cortejo, representando entre ricas bordaduras a ouro e preciosas tarjas as imagens dos santos, que em sua vida haviam exercido o trabalho manual, de que eram advogados e protectores no paraizo. Atraz das bandeiras, oscillando sobre um formoso cavallo branco, vinha o vulto equestre de S. Jorge, precedido de trombeteiros montados e de tambores a pé, entre a furia sonorosa dos clarins e atabales. Um homem d'armas, robusto comparsa alugado para queimar dentro de uma pesada casca de ferro o sangue e a corpulencia, erguia o gui?o do cavalleiro santo sobre a lan?a, capitaneando, meio suffocado e tonto de vertigens, o vistoso apparato dos cavallos da casa de Bragan?a ricamente ajaezados, e levados á m?o pelos mo?os das cavalhari?as reaes. A imagem de S. Jorge vestia arnez, coxotes e grevas, e trazia na cabe?a o gorro de velludo, que em tempos mais ditosos adornavam os diamantes do duque de Cadaval. Um pagem enfeitado de vistoso cocar de plumas, quasi t?o alto como elle, acabava de figurar a fic??o das emprezas militares do glorioso general, que nunca vira os campos de batalha portuguezes, por que nunca pelejou contra os inimigos da fé, ou da independencia na Peninsula.
Seguiam-se as irmandades de Lisboa e do termo, os servos das diversas confrarias, e os farricoucos, amortalhados em hollandilhas da cabe?a até os pés, todos sequiosos de alardearem sua compunc??o anonyma. Eram perto de cem as irmandades e confrarias, que desfilavam em passo grave com suas tochas na m?o e suas opas de variadas c?res, trocando em voz baixa de umas para outras censuras e chascos nada caridosos ácerca do numero, ou negligencia de seus irm?os em Jesus Christo. No couce d'estes virtuosos auxiliares do altar, com os olhos baixos, e ademanes reverentes, caminhavam as communidades, Franciscanos, Ordens Terceiras, Trinos descal?os, Agostinhos, Carmelitas, Capuchos, Capuchinhos, Arrabidos e innumeros outros ramos da frondosa arvore monastica, cujo tronco brotado da piedade e munificencia dos soberanos era alimentado pela devo??o, ou pelos remorsos dos fieis. Transparecia o orgulho beato da santidade no rosto de muitos d'elles. Os religiosos de S. Domingos fechavam a rectaguarda da sacra milicia.
Depois dos monges e mendicantes come?ava o clero regular, e apoz elle, debaixo da cruz patriarchal, todo o clero secular, os padres da congrega??o de S. Filippe Nery, os das Miss?es, e os parochos, curas, e presbyteros das freguezias de Lisboa, conegos, e as dignidades, e a curia ecclesiastica. Rematavam o longo e estendido sequito os conselhos e tribunaes da c?rte, os fidalgos que residiam em Portugal, e os cavalleiros das ordens militares. As varas do pallio pegavam as pessoas mais nobres e conspicuas por sangue, empregos, e representa??o.
Havia tres horas, que a prociss?o andava fóra, e ainda nenhum tumulto, ou perturba??o justificára os presentimentos sinistros da policia. O povo olhava com enlevo para tudo, ajoelhava e batia nos peitos, e limitava a maldi??es abafadas a sua avers?o aos francezes. Junot, que assistia da varanda do palacio do Rocio ao religioso acto, e cujos olhos indagadores n?o cessavam de espreitar o menor indicio de agita??o, vendo tudo sereno e socegado, e os maus prognosticos desmentidos, ria-se já sem disfarce dos receios do intendente Lagarde, e perguntava-lhe em ar de mofa pelo nome dos malsins assustadi?os, que tinham inventado a conspira??o, talvez para os promover na falta de concorrentes ao logar, ainda vago, apezar da sua proclama??o, de Cam?es do reino do Algarve!
De repente o duque de Abrantes suspendeu-se. O riso gelou-se-lhe nos labios. Herman, que estava á sua direita, enfiou; e Lagarde, crescendo sobre os aprumados collarinhos, dilatou o pesco?o fóra da gravata. Um olhar, em que se retratava ao mesmo tempo o receio e o triumpho fez comprehender em sua muda eloquencia ao general em chefe, que se rira cedo de mais da infallibilidade da policia. O que succedia, porém, n'este momento para assim mudarem de subito as scenas e as phisionomias? Estálara a revolu??o promettida? Tinham os conspiradores denunciados deixado cair a um signal, como no theatro do Salitre o imperador José II, as becas, as capas, os habitos, ou as sotainas, e appareciam metamorphoseados em actores de novas e segundas vesperas sicilianas? Ninguem podia dizer ainda. Da varanda de pedra, Junot e o seu cortejo viam e ouviam o tumulto, sentiam-n'o avultar, mas ignoravam as causas e os incidentes.
As bandeiras dos officios dobravam já com todo o socego da rua Augusta para a rua do Ouro, dando a volta pelo Terreiro do Pa?o, e o pallio e o Sacramento saíam da egreja de S. Domingos, quando uma furiosa vaga de povo, encapellando-se inopinadamente, investe com o corpo da prociss?o na rua Augusta, envolvendo e afogando em suas ondas loucas as confrarias e communidades, derruba tudo no impeto irresistvel, corre infrene como inunda??o despenhada, como furac?o vertiginoso, e por cima de todos os obstaculos galga invencivel até ao Rocio, aonde, similhante a rio caudaloso que se precipita, rasga por entre milhares de vultos o seu caminho!
No meio da pra?a esta onda, repellida pela corrente opposta, golfada das portas de S. Domingos, vê-se entalada sem poder avan?ar, ou recuar, lucta com esfor?o desesperado, e por fim, semeando o terror e o espanto por toda a parte, vae acabar de se desfazer em redemoinhos, ou em pinhas oscillantes, que se quebram, e renovam á entrada das ruas e travessas por onde as multid?es se escoam, fugindo feridas de demencia.
Os clamores, os gritos de angustia, as interjei??es de pavor cortam os ares, e ensurdecem os ouvidos. Mulheres e crian?as arrastadas no tropel, meio suffocadas, pallidas e quasi moribundas, al?am em v?o os bra?os supplicantes, e desapparecem perdidas depois nos rolos, que se ennovellam e arremessam a cada passo.
A tropa, cujas alas vergam e se rompem com o embate da plebe, é cortada em todos os sentidos, e debalde tenta reunir-se. Os artilheiros desordenados cedem e desamparam as carretas.
Colhida no centro do bulc?o popular, a prociss?o rota e dispersa em mil fragmentos, que vozeam e se revolvem, como tro?os semi-vivos de um reptil, alastra as ruas de cruzes, de tochas, e de insignias, calcadas por milhares de pés. Frades, padres, magistrados, cavalleiros, irm?os, e penitentes bradam, imploram, atropellam-se, e ora dobados no ar, ora estatelados em terra, lividos, moidos, e descompostos pelejam por se arrancarem a este pelago tempestuoso, em que abafam, buscando por similhante forma refugio contra o perigo.
O prelado, que trazia a custodia, e o pomposo sequito que rodeava o pallio, vê de repente a pra?a tornada um mar procelloso, e ouve sobre o clamor geral as vozes dos officiaes francezes mandando carregar as armas á guarda de granadeiros, e accender os morr?es aos artilheiros da bateria postada junto do adro. Attonitos e paralyzados um instante, o medo presta-lhes azas depois. Luctam, repellem-se, volvem a traz, e rompendo, como cunha viva, por meio da multid?o, que transborda do templo, v?o cair uns sobre os outros de rold?o na sacristia, deixando o pavimento juncado de thuribulos, de capas de asperges, de roquetes dilacerados, de chapéus de plumas, e de mantos das ordens militares.
A cavallaria de Junot une as fileiras. As largas espadas dos soldados reluzem por cima das cabe?as com lampejos terriveis. O povo agglomerado, entre a muralha que o atira sobre os cavallos, e o terror das armas, que o amea?am, solta horriveis clamores, peleja por abrir passagem, e augmenta o ruido, o sossobro, e a confus?o do tumulto immenso.
N?o ha pincel, nem tintas que possam desenhar quadro t?o medonho! Os gemidos, os choros, as quedas, contrastam a cada minuto com os lances comicos e os episodios risiveis. O medo inspira os ardis mais burlescos. O desespero suggere os arbitrios mais violentos.
As ruas e travessas proximas, similhantes a canaes rotos á furia das aguas, engolem e despejam incessantemente os bandos variegados dos fugitivos, entre os quaes a egualdade do terror acotovella os commendadores e os togados com o operario, o frade e o farricouco pelo judeu transido, ou pela collareja t?o veloz nos passos, como solta de lingua e prompta de gestos.
Capotes, cabelleiras, chinós, sapatos, abas de fardas e de casacas, canh?es e gollas bordadas, len?os, cintos, farrapos, de todas as telas e de todos os matizes em fim, coalham este campo de batalha, aonde os mortos, felizmente, isto é os que baqueiam, resuscitam logo ao beijarem o ch?o, e se levantam para disputar celeridade aos mais ligeiros. No meio dos alaridos e dos estrepitos, do centro d'este cahos ruidoso de furias, bramidos, e uivos bestiaes, vozes tremulas e roucas de susto, em perguntas e replicas instantaneas, exclamam confusas e lugubres: ?O terremoto! Os inglezes! As ruas minadas!?