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Chapter 6 No.6

Ao chegar á porta dos aposentos do pae experimentou Jorge uma primeira hesita??o.

D. Luiz tractava sempre os filhos de uma maneira t?o austera, abria-se-lhes t?o pouco em confidencias, mostrava t?o má vontade ao ter com elles longas e sérias conversa??es, que Jorge precisava de exercer um grande esfor?o sobre si mesmo para dar aquelle passo t?o fóra dos seus habitos.

Pela primeira vez os filhos procuravam assim o pae no proprio quarto d'elle; a estranheza do facto seria pois já uma raz?o bastante para os perturbar, ainda quando n?o concorresse para o mesmo effeito a natureza do assumpto da conferencia, que n?o podia ser mais solemne.

A resolu??o de Jorge era porém muito forte, e o enthusiasmo de Mauricio muito inconsiderado, para que se deixassem dominar por aquella quasi instinctiva timidez.

Jorge bateu á porta com intimo sobresalto.

Respondeu immediatamente a voz de D. Luiz, mandando entrar quem batia.

Os dois irm?os impelliram diante de si a porta, e afastando o reposteiro, entraram.

Os raios do luar tinham já principiado a penetrar na sala, desenhando no pavimento as projec??es das janellas ogivaes, que a pouco e pouco cresciam para o interior.

Do lado da porta eram porém ainda espessas as sombras, e D. Luiz n?o podia pois conhecer quem entrava.

A sala era extensa, e por isso alguns momentos decorreram, longos para a impaciencia do fidalgo, antes que os dois rapazes chegassem ao logar onde elle os esperava, escutando com estranheza aquelles passos, sem poder conjecturar de quem fossem.

A final proximos da cadeira do pae, pararam e guardaram por instantes silencio.

A fronte descoberta ficava-lhes alumiada pelo luar, e recebia d'aquella mysteriosa luz uma singular express?o de gravidade.

D. Luiz, reconhecendo os filhos, olhou fixamente para elles e perguntou-lhes admirado:

-O que é que pretendem?

Jorge foi o que respondeu.

-Se v. exc.a nos quizer ouvir, meu pae, desejavamos fallar-lhe.

-Fallar-me?!-repetiu D. Luiz, em tom de espanto e quasi irritado.

-Sim, senhor.

-é singular! E a proposito de quê?

-Do nosso futuro.

-Ah!-exclamou o fidalgo, procurando encobrir em ironia a sua crescente irrita??o.-Deram-lhe para pensar n'elle agora pelo luar.

-Penso n'elle ha muitos dias, meu pae. Ha muitos dias que elle me inquieta.

D. Luiz fez um movimento, que immediatamente reprimiu, e passou a interrogar Mauricio, no mesmo tom de affectada ironia:

-Tambem te atacaram as mesmas inquieta??es pelo futuro?

-Ha menos tempo, mas com maior fundamento talvez-respondeu-lhe com firmeza o filho interrogado.

D. Luiz calou-se por alguns instantes, depois tornou para Jorge:

-Ent?o vejamos a causa dos teus receios, saibamos o que te trouxe aqui.

E principiou a tocar nervosamente com os dedos nos bra?os da cadeira.

-Meu pae-principiou Jorge-perdoe-me a liberdade que tomo de fallar n'isto a v. exc.a; mas é o empenho que fa?o em que o nome e o credito de nossa familia se conserve sem mancha... que...

O fidalgo interrompeu-o, batendo com violencia no peitoril da janella.

-E quem o manchou?-rugiu elle, quasi meio erguido, e fitando o filho com um olhar, cujo fulgor até á claridade tibia da lua se percebia.

-Até hoje ninguem; manchal-o-hei eu talvez ámanh?, quando n?o puder satisfazer os compromissos da nossa casa; manchal-o-hei, quando me bater á porta a miseria e me encontrar com habitos de ociosidade e sem a sciencia do trabalho-respondeu placidamente Jorge á violenta interpella??o do pae.

-Ent?o já sabes que te baterá á porta a miseria?-inquiriu o fidalgo amargamente.

D'esta vez foi Mauricio quem respondeu:

-Ha quem se encarregue de nol-o ensinar. Em cada homem do campo temos um mestre, e as crian?as por ahi já sabem dizer que os fidalgos da Casa Mourisca est?o empenhados.

D. Luiz a estas palavras estremeceu, como ao contacto de um ferro candente; virou-se irritado para Jorge, fallando quasi a custo:

-No meu tempo pagavam-se essas li??es bem caras! Para isso serviam ent?o, pelo menos, os rapazes das nossas familias.

-Tambem nós as pagariamos, senhor; mas, voltando a casa, dir-nos-ia a consciencia que n?o ficavam assim saldadas todas as dividas. O orgulho e a vingan?a estariam satisfeitos; mas a raz?o e o dever, n?o-contestou-lhe Jorge.

-Ent?o queiram dizer-me o que lhes manda a raz?o, e... e o que mais?...

Ah, sim... e mais o dever.

Jorge, sem se perturbar, acudiu:

-Mandam-nos trabalhar para remir essas dividas; luctar pela integridade d'estes bens, que s?o nossa heran?a, augmental-os antes se f?r possivel; mandam-nos manter em respeito essa gente, que nos olha com atrevimento, destruindo para isso os fundamentos da sua insolencia. A raz?o, meu pae, diz-nos que é uma vergonha e um crime para os nossos vinte annos a vida ociosa e inutil que passamos aqui.

-Muito bem; querem ent?o meus filhos que eu lhes dê um modo de vida; veem aqui no proposito de arguir-me por me ter descuidado de os... arrumar?

O fidalgo empregou no verbo final, de um sabor burguez, toda a emphase sarcastica, que lhe inspirava a sua irrita??o e orgulho aristocratico.

-N?o, meu pae-insistiu Jorge-vimos apenas lembrar a v. exc.a que chegamos a uma idade em que já nos n?o satisfazem os gozos da vida de rapaz, de que o muito amor de v. exc.a nos tem permittido saciar. Vimos pedir-lhe que nos conceda agora licen?a de nos occuparmos de outra ordem de ideias e de mudarmos de vida. Sentimos despontar em nós desejos novos, vimos respeitosamente annuncial-o a v. exc.a e rogar-lhe a permiss?o para realisal-os.

D. Luiz sorriu ironico, porque n?o podia ainda tomar a serio a resolu??o dos filhos, em quem só via duas crian?as; e continuou zombando:

-Está bem. Ent?o tu o que queres ser?

Jorge respondeu promptamente:

-Procurador de v. exc.a na administra??o da nossa casa.

D. Luiz olhou d'esta vez para o filho mais seriamente, porque lhe causára impress?o a firmeza e promptid?o da resposta, em vez das titubea??es que esperava. Convenceu-se de que Jorge n?o procedia levianamente de todo, e que n'elle havia uma ten??o formada. Voltando-se para Mauricio, interrogou-o, ainda no mesmo tom em que principiára:

-E tu? Queres ir para o Brazil?

Mauricio n?o tinha, como Jorge, uma resposta prompta, porque n'elle o projecto era apenas uma resolu??o vaga e mal definida, e n?o um plano fixo e meditado como o do irm?o. Era n'essas fórmas vagas que elle mais o namorava, e talvez ao pretender fixal-o, principiasse a experimentar as primeiras repugnancias e desillus?es.

D. Luiz esperou alguns instantes pela resposta do filho mais novo, mas, como o visse hesitar, continuou, encolhendo os hombros:

-Ainda n?o pensaste n'isso. Bom. Ou?amos ent?o primeiro teu irm?o. Visto isso achas tu que, sob a tua gerencia, a administra??o de nossa casa prosperaria?

-Creio que n?o iria peor conduzida do que vae. V. exc.a conhece perfeitamente que n?o será grande fa?anha ir t?o longe como frei Januario.

-é um homem experiente.

-Triste resultado o da experiencia. O pae deve, melhor do que nós, saber o estado dos negocios d'esta casa; mas quer-me parecer que n?o me enganarei muito, conjecturando a maneira por que elles v?o. Pedir emprestado sob encargos e hypothecas pesadissimas, n?o para melhorar o que ainda possuimos, mas para consumir o pouco que se obtem em gastos improductivos, lavrar arrendamentos com que o senhorio nada lucra e com que a propriedade se empobrece, deixar ao desprezo terras n?o arrendadas, é a pratica até hoje seguida, t?o facil como funesta.

-E quem te disse que é possivel fazer outra coisa?-objectou já sem ironia o pae.-Os tempos actuaes s?o de prova para familias como as nossas, a maré que sobe traz á fl?r da agua o que era l?do em outros tempos.

-Deixe-me tentar, meu pae.

-Tentar o que? crian?a. Queres ser enganado e escarnecido por esses manhosos proprietarios e rendeiros, com quem infelizmente temos de lidar? Que sabes tu da administra??o dos bens ruraes?

-Aprenderei. A sciencia, patente ás faculdades de frei Januario, n?o é defeza a ninguem.

-Nem tu sabes o que pedes. N?o córarias de vergonha no tracto familiar a que esses negocios obrigam, com homens grosseiros, insolentes, miseraveis de hontem, e que hoje nos atiram á cara com a sua riqueza?

-Procuraria d'entre esses os de mais educa??o.

O velho encolheu os hombros com impaciencia, murmurando:

-Educa??o! Elles!

-Porém, meu pae-argumentou Jorge com mais vehemencia-é uma triste necessidade esta. Pense bem. Se é vergonha, como diz, procural-os para tractar negocios, maior vergonha será que elles nos procurem para nos expulsar d'esta casa; se a um homem da nossa familia fica mal velar por ella, peor e menos decoroso lhe será ter de deixar esta terra, onde já n?o possua um palmo de seu, sem poder attribuir essa desgra?a sen?o á sua propria incuria. A memoria dos nossos antepassados soffrerá menos se um dia se disser dos seus descendentes que trabalharam, para livrar da destrui??o e de m?os alheias o solar que lhes pertencia; do que se se contar, apontando para as ruinas d'esta casa, que elles a deixaram cahir e invadir por estranhos, sem respeito por as gloriosas tradi??es que a illustravam. é pouco para ambicionar-se esta fama.

-E depois, meu pae-acudiu Mauricio-que d?r n?o seria o vêr devassado por invasores o quarto em que morreu minha m?e, esta sala, o sal?o onde brincavamos em crian?a, e até os aposentos de nossa irm?, da sua querida Beatriz?

A memoria da filha morta commovia sempre o cora??o d'aquelle velho, que ella ainda povoava de saudades; por isso curvou desalentado a cabe?a assim que lhe ouviu o nome, e murmurou:

-N?o; a nossa miseria n?o irá t?o longe. Creio que Deus n?o me reservará esse tremendo castigo. Morrerei primeiro.

-E nós, se lhe sobrevivermos, senhor, n?o soffreremos tambem? Quererá legar a seus filhos uma heran?a d'essas?-interpellou-o Jorge.

O pae escondeu a cabe?a entre as m?os, já sem signaes da rispidez com que principiara a scena, e n?o p?de responder a esta interroga??o de Jorge.

Mauricio sentiu-se commovido ante aquella sincera manifesta??o de d?r, que observava no pae, na presen?a d'elles de ordinario t?o reservado.

-N?o-acudiu elle impellido por aquelle sentimento-o interior da nossa casa n?o será devassado por estranhos, nem na sua vida, meu pae, nem depois da sua morte. Dê-nos apenas permiss?o para trabalharmos, e nós juramos evitar essa humilha??o.

D. Luiz ergueu finalmente a cabe?a e pela primeira vez fez signal aos filhos para que se sentassem junto de si.

Depois, dirigindo-se ao mais velho, já em tom menos severo:

-Jorge-ponderou elle-a tarefa que queres emprehender n?o é facil. é verdade que n?o teem corrido pelas minhas m?os esses negocios, mas sei d'elles o bastante para prever os espinhos que n'elles encontrarias. Frei Januario n?o é um homem de talento, bem o sei, mas tem experiencia e boa vontade de nos servir, e ainda assim n?o prospéra esta casa, que foi das melhores da provincia. Como queres tu pois, ha poucos dias uma crian?a que em nada d'isto pensavas, tomar de repente sobre ti o encargo d'esta gerencia, e como imaginas que darias boa conta d'ella? Os teus planos s?o vagos. Fallas-me mais nos defeitos dos seguidos até hoje, dos que nas excellencias dos teus.

-Perd?o, meu pae, mas n?o s?o t?o vagos como os supp?e. Pensei já muito n'isso. As difficuldades que ainda tenho, com tempo e medita??o espero resolvêl-as; além d'isso... auxiliado... quando necessario f?r... dos conselhos de frei Januario, espero que me será possivel realisar o meu intento. Se me permitte exponho-lhe esses planos em poucas palavras.

Tomando o silencio do pae por signal de aquiescencia, Jorge encetou a exposi??o dos seus projectos economicos.

N?o o seguiremos no longo relatorio, que pae e irm?o escutaram admirados de t?o inesperada sciencia. De facto, as informa??es de Thomé, os fructos da propria reflex?o, as ideias adquiridas na leitura meditada dos poucos livros da sua bibliotheca, foram os elementos com que o espirito essencialmente methodico e organisador de Jorge construira um completo systema de administra??o, que, se tinha defeitos, n?o eram para ser apreciados pelo velho fidalgo, que nunca f?ra dado a esses exames. A exposi??o clara, o tom de convic??o, o calor do quasi enthusiasmo com que o filho fallava, enthusiasmo contagioso, exerceram no velho uma profunda influencia. Ao concluir, Jorge tinha vencido a causa.

D. Luiz estava do fundo d'alma convicto de que este filho f?ra destinado pela Providencia para ser o restaurador da sua casa.

E comtudo havia um ponto essencial no plano de Jorge, que elle n?o mencionára. Para realisar a maior parte das medidas economicas, cujos maravilhosos effeitos com tanta eloquencia exposera, era indispensavel um capital inicial n?o pouco avultado, e Jorge n?o dissera como havia de obtêl-o. Esta era a parte secreta do seu plano; aquella, cuja men??o bastaria para desvanecer toda a boa impress?o produzida no animo de D. Luiz.

O capital inicial devia vir do emprestimo razoavel, offerecido por Thomé da Povoa, ou obtido sob a garantia do credito d'elle. Esta opera??o era indispensavel, era a unica talvez salvadora; por quanto os outros capitalistas tinham sempre em vista apoderar-se dos bens do fidalgo, e por isso sómente emprestavam sob condi??es onerosissimas e perigosas.

Mas o orgulho de D. Luiz n?o lhe deixaria aceitar favores de Thomé; nunca elle consentiria na menor transac??o com o que f?ra seu criado.

Por isso Jorge guardou para si sómente esta parte das suas projectadas opera??es, e com D. Luiz felizmente era facil passar por alto certos pontos de quest?es d'esta natureza, que elle mal examinava. Assim pois o pae acabou por dar o consentimento pedido.

-Seja; n?o me opponho a que te occupes da gerencia da casa, que dentro em pouco tempo será vossa. Vejo que tens reflectido n'isso mais do que eu julgava; comtudo marco duas condi??es; a primeira é que nunca fa?as contractos que sejam vergonhosos para o nome de nossa familia.

-Prometto-lhe que n?o o envergonharei.

-A segunda é que n?o desprezes os conselhos de frei Januario.

-Por certo que n?o prescindirei das suas informa??es.

-Eu lhe darei parte do que resolvi. E agora...-acrescentou D.

Luiz-vamos ao resto... E Mauricio?

Mauricio, interpellado pela segunda vez, achar-se-ia nas mesmas difficuldades para responder á interpella??o, se Jorge n?o respondesse por elle:

-Tambem pensei em Mauricio.

-Ah! tambem?-disse o pae, n?o podendo occultar a quasi admira??o, que lhe estava impondo Jorge.

Mauricio interrogou tambem com a vista o irm?o.

-Se Mauricio confia em mim, é inutil a sua permanencia aqui na aldeia, onde n?o tem em que se occupe.

-Tens a minha plena confian?a, Jorge. E a n?o me quereres para teu guarda-livros...

-Lembrou-me que Mauricio devia partir para Lisboa. Lá poderá ser mais util a si e a nossa casa. é verdade que n?o é essa por ora uma medida economica; antes obrigará a alguns sacrificios. Far-se-h?o porém, se precisos forem, e Mauricio tem brios bastantes para n?o os deixar ficar improductivos.

D. Luiz fez um gesto de duvida.

-Humh!-objectou elle-que carreira póde n'estes tempos seguir na capital um filho meu? Queres acaso que elle vá renegar da causa, que a nossa familia sempre abra?ou, e fazer pacto com essa gente que hoje governa?

-Confesso que mal pensei ainda na carreira que lhe convirá seguir; mas sómente lá é que é possivel a escolha. Parece-me que sem deshonra se poderá trabalhar e ser util á patria, que é sempre a mesma, qualquer que seja o partido que a governe. Mas o caso n?o urge. V. exc.a poderia escrever n'esse sentido a nossa prima Gabriella, que melhor que ninguem poderá fornecer-nos valiosas indica??es.

-Gabriella?! A senhora baroneza do Souto Real!-accentuou sarcasticamente o fidalgo.-Ora adeus! Uma doida...

-Tem-se mostrado sempre nossa amiga-corrigiu Jorge-e ainda por occasi?o do fallecimento de Beatriz...

-Sim, bom cora??o tem ella. Mas a sociedade em que vive, desde que casou e depois que viuvou, tem-lhe feito adquirir as qualidades da época. N?o se lembra de que seu pae foi um militar, que morreu com as armas na m?o a favor da causa legitimista. Hoje conta os seus amigos entre a gente, que a fez orph?.

-Deve perdoar-se a uma mulher essa fraqueza. Ella n?o tem cora??o para odios. Bem o sabe. Parece-me comtudo que, apesar das suas apparencias frivolas, tem um fundo de bom senso d'onde póde sahir um aproveitavel conselho. Falle-lhe v. exc.a com franqueza, diga-lhe quaes as condi??es sob que entende poder Mauricio entrar na sociedade, onde vivem sem apostasia muitos adeptos da antiga causa, e eu creio que ella o comprehenderá e lhe dará as informa??es pedidas.

Ainda n'isto se deixou convencer D. Luiz pela eloquencia do filho. Jorge sabia que a prima era uma mulher de influencia no mundo politico e elegante, e esperava que a reconhecida diplomacia d'ella conseguisse aplanar as difficuldades, em que naturalmente se embara?ariam o orgulho e a paix?o partidaria do fidalgo. E para assegurar melhor o resultado que esperava, resolveu elle proprio escrever-lhe confidencialmente.

Quando o pae e os filhos se separaram, achava-se em todos os seus artigos sanccionado o projecto de Jorge.

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