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Você de Novo?!

Você de Novo?!

Author: : Judy Wiki
Genre: Romance
Caro leitor, você já acordou com a sensação de algo estranho irá acontecer? Tipo um dejavú? Pois bem, foi essa a sensação que eu Kyra tive quando acordei. Não sei ao certo o que o meu sexto sentido tinha me reservado, mas no fundo pressentia problemas. Comecei errado né? A protagonista deve se apresentar, dizer no que trabalha e fazer aquele apelo de comédias românticas... É, mas essa protagonista não sou eu. Sobre o meu passado, bem eu o conheci quando ainda fazia meu bacharel em Administração, ele era lindo com seus olhos castanho escuros, seu cabelo preto, 1,80 de altura, queixo quadrado e ombros largos. Quem em sã consciência não iria se apaixonar? Mas, Dante partiu meu coração e a única coisa que eu não esperava, era que nos dias atuais, nos encontraríamos novamente...

Chapter 1 O Destino Me Trola

Você já acordou com a sensação de algo estranho irá acontecer? Tipo um dejavú?

Pois bem, foi essa a sensação que eu Kyra tive quando acordei. Não sei ao certo o que o meu sexto sentido tem-me reservado, mas, no fundo pressinto problemas.

Resolvi pular da cama e verificar o que eu tinha planejado para o dia. Sério, eu realmente preciso utilizar uma agenda como app no meu celular para lembrar dos meus compromissos.

Eu me assustei quando vi a minha agenda, tinha uma hora para chegar em uma entrevista. - Droga! - Corri para come umas bolachinhas já juntamente colocando a roupa da entrevista (vou contar que duas coisas ao mesmo tempo, nunca funcionam tão bem para mim).

Terminei de colocar a roupa, corri para o banheiro escovar os dentes e colocar uma base na cara. Por incrível que possa parecer, levei 20 minutos para ficar pronta, chamei um táxi pelo app e desci do meu apartamento para esperar.

Comecei errado né? A protagonista deve se apresentar, dizer no que trabalha e fazer aquele apelo de comédias românticas... É, mas essa protagonista não sou eu. Seria muita ousadia pensar que a minha vida se resumiria em romance, pode até ter comédia, mas está mais para um drama de uma moça trintando. Não tenho a crise dos trinta, mas minha família e amigos se preocupam por eu ainda não ter encontrado o meu "par perfeito", cá entre nós caro espectador, a vida não se resume somente a isso e as minhas preocupações são outras. Vou te contar como cheguei até aqui.

Quando eu tinha os meus vinte e tantos anos, me apaixonei (quem nunca né?), mas não era o momento e nem o "cara perfeito" (na minha cabeça era, infelizmente) porque ele partiu o meu coração. O conheci na faculdade quando fazia o meu bacharel em Administração, ele era lindo com os seus olhos castanhos escuros, o seu cabelo preto, 1,80 de altura, queixo quadrado e ombros largos. Quem em sã consciência não iria se apaixonar? Ele estava trintando na época e palestrava sobre escrever e a forma de administrar. Eu achava incrível como ele via esse mundo. Eu e a minha amiga Lucy estávamos saindo do auditório da faculdade e o nosso professor de economia nos chamou para apresentá-lo (Lucy era a melhor aluna da nossa turma).

- Veja Dante, essa é Lucy a garota mais inteligente das minhas aulas. - Disse professor Louis.

- Olá Dante! - Disse Lucy animada.

- Olá meninas. - Disse Dante sorrindo.

- Olá. - Eu disse desanimada. Naquele momento, não estava com inveja da minha amiga, mas estava me sentindo um "peixinho fora d'água" se é que me entende. Lucy me deu um beliscão devido à minha falta de animação, retruquei com uma cutucada e comecei a rir do desespero dela. Para meu espanto, Dante não perdeu um detalhe do que estava acontecendo.

- Como você se chama? - Dante me perguntou. Eu arregalei meus olhos (os deixei maiores do que já são). Oi?

- Me chamo Kyra.

- Agora sim, todos apresentados! Gostaram da palestra?

- Amei! Como você consegue unificar os dois mundos? - Perguntou Lucy empolgada.

- Basta você gostar do que faz, aplicar as técnicas de como lidar com pessoas, empolgar a equipe e os resultados aparecem ao decorrer do tempo.

Fiquei estudando-o enquanto falava porque gosto de analisar o perfil e pouco descobri referente a sua personalidade. Ele era genial no que fazia, parecia ser popular com as mulheres (a Lucy estava babando) e estava sendo gentil com duas alunas de faculdade. Dante pareceu notar que estava sendo analisado porque me olhou com certa curiosidade. Ele piscou para mim e sorriu, algo com significado: "Sei que está me estudando".

Na mesma hora, eu levantei a minha mão num gesto involuntário e coloquei na minha testa, balançando a cabeça em forma negativa, totalmente reprovando o flagra.

- Lucy, venha comigo, eu quero te apresentar ao representante do conselho de administração. - Disse professor Louis.

- Mas professor, eu nem terminei de trocar ideias com o nosso palestrante.

- Não tem problema Lucy, nós vamos jantar juntos. Agora, venha! - Disse o professor já puxando a Lucy para longe de nós.

Eu não me aguentei com a situação e comecei a rir devido ao professor puxando a Lucy e ela fazendo birra igual criança pequena.

- Dante me olhou com certa curiosidade, se aproximou mais e perguntou:

- Você achou o que procurara?

- Oi? - Parei de rir e olhei para ele confusa. Não entendi a sua pergunta.

- Você estava me analisando. O que encontrou?

- Ahhhh... Você estava falando disso. - Falei surpresa. - Eu encontrei muito pouco, na verdade, ainda estou no processo de análise e falando profissionalmente, eu gostei de algumas estratégias que você utiliza para lidar com pessoas.

- Ahhh... Você estava me analisando profissionalmente. - Ele falou fazendo cara de ofendido. - Pensei que estava me analisando com malícia nos olhos. - Piscou para mim e sorriu.

- Capaz! Por que eu faria isso? - Sorri e dei uma piscada para ele. - Você não faz o meu tipo.

Falando assim, saí e fui conversar com João, o meu amigo de desabafos que frequentava o mesmo curso que eu e falava as coisas que eu precisava ouvir.

- Ai nossa, amiga do céu! Quanto boy bonito nessa palestra! - ele disse sorrindo.

- Amigo, nem vi tantos assim... Onde estão? - Perguntei fazendo cara de moleca, fingindo procurar entre a multidão.

- Você estava conversando com o mais bonito! Como não aproveitou a oportunidade?

- Ahhh... Não é para mim. - Eu disse fazendo careta.

- Como não é? É bonito, bem-sucedido, gentil, forma... - Não deixei nem ele terminar a frase.

- Se acha a última bolacha do pacote, é "bom" com as mulheres, cheio de trocadilhos e é um perigo para mim! Não faz o meu tipo.

- Ahhh entendi! É o famoso "quebra corações" né?

- Exatamente! Eu corri dele... Literalmente.

- Como assim? - Perguntou ele espantado.

- Eu falei-lhe que não era o meu tipo e fugi dali. - Eu disse dando risada.

- Sua covarde! Como perder uma experiência dessas?

- Ué, assim o meu coração fica intacto! Tenho que focar nos estudos, já não sou a melhor aluna da sala, as oportunidades não aparecem do nada. Eu tenho que criá-las.

- Entendi (covarde), mas, você vai ao jantar da turma?

- Vou tentar correr dele, não sou tão boa em fazer amizades.

- Vai por mim? Faz esse sacrifício? - Disse ele fazendo biquinho.

- Ahhh nãooooo, eu quero ir para o meu quarto e comer um x bem grande!

- Você está fugindo do quê? - Perguntou uma presença forte atrás de mim. Meu amigo ficou surpreso e, ao mesmo tempo babando. Bom, sobre a voz que disse, bem era o palestrante.

- Eu não estou fugindo, só não quero ir jantar com a turma! Que interesse esse seu numa aluna, sem prestígio algum pela faculdade? - Perguntei franzindo a testa.

- Bom, foi a única aluna que me disse que eu não era o seu tipo!

Chapter 2 Jantar Obscuro

- Oi?

- Quero dizer, eu não costumo me relacionar com alunas, realmente vai contra os meus critérios. Só que é maçante por onde eu passo e as universitárias grudam em mim pensando que teriam alguma chance. Você me chamou atenção porque não vou precisar me preocupar com isso, já que parece ter uma opinião diferenciada e forte, não depende dos outros para isso.

Em questão de 30 minutos, ele já tinha me analisado de uma forma bemmm certeira. Caramba! Pensei.

- Vou te propor um acordo, se você aceitar é claro, fique ao meu lado no jantar essa noite, assim, não precisarei ficar dispensando as mulheres que irão se aproximar.

- O que eu ganho com isso? - Perguntei fazendo bico porque não queria ir no jantar.

- Posso te ensinar a analisar as pessoas, conteúdos que aprendi com a minha carreira ou até mesmo melhorar em alguma matéria.

Realmente o acordo era bom, eu estava com dificuldades em algumas matérias e ter o conteúdo dele seria interessante porque é uma das áreas que mais gosto na Administração.

- Beleza, negócio fechado! - Eu disse com firmeza.

- Que bom. - Disse ele sorrindo. - Você é uma garota inteligente, soube negociar.

- Não me parabenize ainda, não é fácil passar tempo comigo, ainda mais tendo que me ensinar.

- Isso é verdade. - Disse o João.

- Ahh me desculpa, não fizemos as devidas apresentações. - Disse Dante a João.

- Não tem problema, eu me chamo João e pode ficar tranquilo que eu e a Kyra somos somente amigos. - Disse sorrindo.

- João! Era mesmo necessário isso? - Eu disse indignada.

- Oh se eraaa... amiga, como você está acompanhada, vou ali dar uma paquerada ok?

- Ué, você não disse que queria que eu fosse no jantar com você? - Retruquei.

- Era só para você sair de casa! - João saiu rindo.

- Hunnn... - Dante fez cara de surpresa.

- O que foi?

- Você não tem namorado.

- É... Foquei na faculdade e no trabalho, não tive tempo para isso.

- Determinada você.

- Sim, mas, bora para o jantar? - Eu disse indo na frente

- Você não vai se trocar? - Perguntou surpreso.

- Não, se eu for para casa me arrumar e voltar, já passarão das 11 horas da noite. - Eu sorri divertida.

- Ahh, sinceridade isso é muito bom. Pena que eu realmente vou precisar ir para o hotel que estou hospedado para me trocar. Tranquilo você ir na frente?

- Totalmente! Até mais.

Saí da faculdade, olhei para o prédio enorme, cheio de prestígio, nas cores cinza e preto com janelas de vidro fume e me perguntei se estava fazendo a coisa certa, pois até agora, só tinha incertezas na minha cabeça e no meu coração. Afastei os pensamentos negativos e fui para a parada esperar o ônibus.

Coloquei os meus fones curtindo "rock" porque me animava e entrei no ônibus que levava até o restaurante que a turma iria se reunir.

Quando cheguei ao restaurante, a turma já estava reunida com os principais palestrantes em cerca de umas 15 mesas unidas pelo restaurante para que todos pudessem conversar e para a minha incrível surpresa, não havia espaço para eu me juntar a eles (o que eu nem estava com vontade de fazer). Sorri pela situação e caminhei até um garçom para verificar aonde eu iria sentar-me.

- Olá! - Eu disse sorrindo para o garçom.

- Boa noite senhorita! Em que posso ajudar? - Falou ele bem simpático.

- Tem alguma mesa disponível em que eu possa me sentar para jantar?

- Um momento, deixa eu verificar para você. - O garçom foi até a recepcionista para verificar a lista de reservas, se teria alguma mesa disponível. Ele retornou e me perguntou: Qual o seu nome?

- É Kyra.

- Kyra, você está esperando alguém?

- Sim, Dante.

- Ele já reservou uma mesa no canto, próximo da janela, mesa 22. Vou te levar até ela, venha comigo.

Eu segui o garçom até a mesa que Dante reservara. Fiquei impressionada pelo fato de ela ser bem reclusa (não é próxima da minha turma) e tinha uma bela vista da rua, com suas árvores caindo as pétalas no asfalto (É, se você esperou a descrição de um restaurante de luxo, acabei com as suas expectativas né?). A vista e o restaurante eram simples, mas acalmavam o meu coração porque eu tinha fobia de restaurantes luxuosos por passar micos aleatórios. Enquanto estava prestando atenção na vista, nem percebi Dante chegar e quando me dei conta de que havia alguém na mesa, levei um susto.

- Caramba! Desculpa, eu não ouvi você chegar. - Me desculpei.

- Boa noite para você também! - Disse ele achando graça do susto que tomei.

- Boa noite! Você foi bem rápido ao ligar para cá e reservar uma mesa. Eu nem pensei nisso.

- É que eu não queria sentar junto a sua turma, quero comer em paz. - Disse fazendo careta.

- Ahh entendi, você quer sossego. Bem pensado, até porque para você teria lugar na mesa, mas para mim não. - Eu disse com expressão divertida. - Não que isso me incomode, mas as pessoas, digo mulheres ficariam no seu pescoço a noite toda.

- Isso era o que eu queria evitar. O que vai pedir?

- Aqui eu vi que eles fazem pratos prontos, mas também lanches. To afim de pedir x-salada prensado com porção de fritas.

- Você não come coisas saudáveis? - Disse ele rindo.

- Como em casa. - Disse fazendo careta. - Quando eu saio, como coisas que vão me deixar feliz.

- Entendi. Vou pedir o mesmo lanche que o seu, até porque eu nunca comi x prensado.

- Beleza.

- O que você faz aqui Dante? - Perguntou uma moça muito linda, sério, ela estava com um vestido vermelho rendado, tomara que caia, com um cinto que destaca muito bem a sua cintura.

Dante estava bebendo e levou um susto tão grande que o refri saiu pelo nariz. Eu vendo a cena, comecei a rir (eu realmente não vou para o céu).

- Lola, o que faz aqui? - Perguntou sem entender a situação.

- Eu estou em um jantar de negócios pela empresa, no caso, a sua empresa e você me deixou sozinha só para acompanhar essa "fedelha"? - Disse ela apontando para mim com desdém.

- Olha o que você fala! Ela é minha namorada. - Disse Dante fingindo estar ofendido com a falta de educação dela.

Desta vez foi eu quem quase se engasgou com o refri.

- Sua namorada uma ova! - Retrucou Lola. - Não é porque demos um tempo, que você pode sair com quem quiser, ainda mais sem a minha aprovação!

- Quem disse que eu preciso da sua aprovação? Além do mais, não demos um tempo, terminamos. Coloca isso na sua cabeça.

- Não docinho, nós só vamos terminar quando eu disser que terminamos.

- Você está totalmente errada, a culpa do nosso término é sua, não mandei você me trair e ainda ter a capacidade de querer dar um tempo para aproveitar com o seu amante! Agora faz um favor a nós e nos deixe comer em paz.

- Como ousa? - Gritou no restaurante e todos os olhares se concentraram em nós.

- Ah e tem mais uma coisa, você está demitida! Não quero mais os seus serviços.

- Idiota! Isso não vai ficar assim. - Lola saiu batendo os saltos furiosa.

Eu fiquei olhando a cena admirada com o que acabei de presenciar. Era por este motivo (Lola) que ele estava querendo evitar e não as mulheres do jantar. Agora tudo faz sentido em minha mente.

- Agora faz sentido! - Eu disse.

- O que? - Dante me olhou com o cenho franzido.

- Você queria fugir da Lola e não das mulheres que estão presentes aqui. O que eu não entendo é: como você sabia que iria encontrá-la aqui?

- Lola sabia que eu estava na cidade e não iria sossegar enquanto não me encontrasse.

- Bom, sinto muito pelo seu relacionamento. É por isso que tentei evitar de me relacionar com alguém no período da faculdade.

- Mas você deveria tentar, nem todas as pessoas são ruins.

- Eu sei, mas como eu te disse, eu estudo as pessoas e quando só estão interessadas no seu corpo, se gabando para os amigos que você é feia e que só serveria para "dar uns pegas", você acaba evitando entende?

- Já falaram isso de você? - Ele me questionou me fitando como se quisesse ler a minha alma.

- Sim. Não sou considerada bonita na minha turma, bom na faculdade né. As pessoas só tem olhos para a Lucy, mas sabe, eu não tenho inveja porque quando alguém gostar realmente de mim, vai ser pelo o que eu sou. Máscaras caem, beleza envelhece, o que fica é algo que a maioria quer esconder, a sua verdadeira essência.

- Concordo com você em tudo o que disse, menos que você não é bonita. Eu te acho bonita, então não ligue para o que os outros dizem. - Dante disse piscando para mim e sorrindo.

Fiquei corada porque eu nunca ouvi ninguém dizer isso. Realmente aquele homem era um perigo para qualquer mulher e eu só me pergunto: como alguém poderia traí-lo? Óbvio que ele não iria saber em hipótese alguma, o que eu pensava, mas realmente ele mexia comigo. Ainda bem que ele não notou o meu embaraço porque logo em seguida, meu professor Louis veio ao nosso encontro reclamando que não estávamos sentados com eles.

- Louis, não se incomode, eu preferi me sentar com Kyra do que com a multidão. Gosto de comer com calma. - Disse Dante.

- Mas com Kyra? Você poderia ter se sentado com a Lucy. - Questionou Louis.

- Como você pode destratar a Kyra assim? Ela é tão inteligente quanto a Lucy, é uma ótima companhia.

- Só você que acha isso. Ela tem uma língua afiada, sem contar que poderia tirar notas exemplares, mas prefere ficar no meio termo.

- Vocês dois esqueceram que eu ainda estou aqui? - Falei com sarcásmo. - Ah, não estou aqui para agradar ninguém professor Louis. Goste você ou não, trabalho para pagar a faculdade, não sou bancada por ninguém e isso já é um mérito pessoal!

- Não foi isso que eu quis dizer Kyra. - Louis tentou se desculpar.

- Eu estou farta de todos a minha volta me menosprezar, então pense assim, daqui a pouco o semestre finaliza e você nem precisará olhar mais para a minha cara, sei que isso o incomoda! - Eu disse isso e me levantei. Não estava com bom humor para ter que aturar tudo. - Dante me desculpe, mas a noite já se encerrou para mim. Se quiser, pode se sentar com eles.

Eu saí do restaurante com um amargor na garganta. Era inacreditável as coisas que me aconteciam e o único lugar que eu me sentia bem era em casa (no apartamento que eu morava). Saí tão absorta em pensamentos que não vi que um braço tinha segurado o meu pulso. Eu gritei de susto.

- Calma! - Disse Dante.

- Senhor, você quer me matar do coração? - Eu disse ofegante.

- Óbvio que não. Você esqueceu de me passar o seu número.

- Ahhh, ops! - Eu passei meu número a ele que anotou imediatamente no seu celular.

O engraçado disso é que ele anotou meu número com o nome de "Vespa". Quando eu li aquilo, comecei a rir.

- Vespa é? - Eu desdenhei.

- Caramba! Olho biônico você. Sua curiosa. - Falou ele escondendo o celular.

- O que eu vou te chamar? - Eu falei de modo pensativo.

- Pelo meu nome, seria uma boa referencia.

- Capaz, não sou boazinha. Ah, já sei! Irritante, perfeito. - Eu falei sorrindo.

- Irritante? Nossa, quanto mais eu te conheço, mais acho você parecida com uma vespa!

- Então tenha muito cuidado para não ser picado! - Eu saí em direção ao ponto de ônibus rindo.

- Espera, deixa que o irritante "perfeito" aqui te leva em casa.

- Irritante perfeito? Oi? Onde? - Eu disse procurando na rua para soar sarcástica. - Não precisa, pode deixar que eu sei o caminho! Obrigada.

- Se você não aceitar, não vou te ensinar as matérias que precisa.

- Chantagista você! Isso não estava acordado... - Eu disse protestando.

- Você quem sabe. - Disse ele curvando o canto direito dos lábios em um sorriso.

- Aff, tudo bem. - Concordei fazendo birra.

- Você tem que pensar: que namorado eu seria se deixasse você ir embora de ônibus? Tem pessoas nos olhando.

- Ahh, eu tinha esquecido disso. - Olhei para o restaurante e a Lola estava parada bem na frente, só nos observando.- Bora lá que temos plateia!

Chapter 3 Carona Inesperada

- Perfeito! Vou ali pegar o carro. Me espera aqui na frente do restaurante. - Disse Dante saindo em direção ao estacionamento.

Ok.

Enquanto Dante ia pegar o carro, fiquei pensando nas coisas que acabaram de acontecer no restaurante. Será que estava fazendo a coisa certa? Pode não parecer, mas sou bem insegura em relação as minhas escolhas. Sei que estou precisando melhorar as minhas notas, mas estou-me arriscando, arriscando o meu bem mais precioso, meu coração.

Estava absorta em pensamentos que nem vi quando um Sedan preto parou na minha frente.

- Vamos? - Disse Dante abrindo a janela e acenando para mim.

- Oi? - Arregalei meus olhos que já são grandes.

- Ta esperando o que aí na calçada? O seu príncipe chegou. - Ele disse gargalhando.

- Aff... O que eu tenho que ouvir! Você está mais para sapo usando a carruagem roubada do príncipe. - Disse eu entrando no carro.

- Nossa, eu não sabia que você me adorava tanto. - Ele fez cara de surpreso.

- Ahh sim, tanto que não consigo mais viver sem você! Oh! Senhor, o que farei da minha doce vida agora? - Coloquei as mãos no rosto encenando a minha fala.

- Você é uam boa atriz.

- Obrigada! - Respondi colocando o cinto. - Vamos?

- Qual o endereço? Assim já coloco no GPS.

- Ok. - Passei o meu endereço e ele sorriu com cara de quem vai aprontar.

- Agora tenho o seu endereço salvo! Isso é magnífico porque se você voltar na sua palavra, sei onde lhe achar.

- Era por esse motivo que eu não queria que você soubesse o meu endereço! - Bati com a minha mão na testa.

- Calma, não vou aparecer lá do nada... Só quando tiver motivos! - Ele sorriu com o canto dos lábios.

- Para alguém que não quer se relacionar com uma aluna, você flerta muito bem! - Eu disse sarcástica.

- Não pense besteiras, só disse que podemos estudar, tramar mais encontros, despistar curiosos... Essas coisas.

- Ahhh, bem, poderemos fazer isso num café que é bem mais apropriável.

- Não, poderemos fazer isso no seu apartamento ou no meu escritório, é mais reservado.

- No seu escritório então.

- O que você esconde no seu apartamento?

- Ué, eu só não sou sociável. Aquele é o meu cantinho, não gosto de compartilhar.

- É por isso que não tem namorado!

- Aff, como é? Ta preocupado por que?

- Eu? Por que estaria? - Fazendo cara de inocente. - Nossa, você pega quantos ônibus para chegar na faculdade?

- Dois.

- 40 minutos de viagem. Você faz isso diariamente?

- Sim, pela manhã e de noite quando retorno para casa. Tenho um emprego de meio período que me ajuda a custear a faculdade, passagem e o aluguel do meu ap.

- Como consegue pagar tudo isso com um emprego de meio período? - Perguntou chocado.

- Eu ganhei bolsa na faculdade, a passagem tem desconto porque sou estudante e o aluguel não é tão caro por ser longe do centro da cidade.

- Não fica ruim passar por esse trajeto diariamente?

- Não, eu vou escutando as minhas músicas, pensando na vida e quando tem trabalho para fazer, inicio neste tempo.

- E como tem notas baixas se é tão dedicada? - Perguntou incrédulo.

- Eu não tenho notas baixas e sim medianas. Quero melhorá-las.

- Ahh entendi, pensei que você estava com notas abaixo da média em algumas matérias.

- Não, mas está no laço.

- Por qual motivo você deseja melhorá-las? É por causa dos professores?

- Não, é porque tenho mais oportunidades de pegar um emprego melhor futuramente. Que se basea-rá no meu histórico escolar.

- Entendi. Sabe, não gosto da forma que te rebaixam na faculdade.

- Eu não me importo, eles não vão-me dar um trabalho, então quando for a hora, será pelo meu esforço e não por indicação. Prefiro assim.

- Muito bom! Futuramente procure-me para eu saber como foi a sua trajetória a procura da auto realização.

- Vou pensar no seu caso. - Eu falei sorrindo.

- Já vi que nada irá pará-la na busca pela realização dos sonhos né?

- Exatamente! Vou persistir em tudo aquilo que acredito. Futuramente pode ser que eu esteja em outra profissão, mas a experiência que vivi e todo o conteúdo que aprendi, não será em vão.

- Com toda certeza. O conhecimento é algo que as pessoas nunca conseguirão tirar de você.

- Concordo, por isso sou chamada de antissocial. Prefiro ficar estudando, pesquisando e ouvindo as minhas músicas a sair, beber até cair e acordar sem saber o meu nome.

- Isso são fases, acredito que quem gosta vai ficar nisso até enjoar e quem não gosta, faz outras coisas para se divertir, como por exemplo, assistir a filme, certo?

- Sim, eu gosto.

- Imaginei, é bem o seu perfil. Confesso que conheci poucas pessoas parecidas com você.

- Sério? Normalmente isso seria ruim na visão dos meus professores. - Eu disse rindo.

- Não fale assim, minha irmã é parecida com você em vários aspéctos. Você só ganha em teimosia e língua afiada.

- Hum. Eu não sabia que você tinha uma irmã. - Falei surpresa.

- Sim, o nome dela é Deby.

- Vocês são próximos? - Perguntei curiosa.

- Já vi que te deixei curiosa sobre minha vida particular. - Ele sorriu.

- Que fique bem claro, sou curiosa por natureza, isso não quer dizer que tenho interesse em você.

- Sei...Mas, respondendo a sua pergunta, sim, nos damos muito bem. Ela não gosta da Lola, vai pirar quando eu contar o que estamos fazendo.

- Imagino, quem gostaria de uma mulher tão superficial e antipática? - Respondi sem pensar, olhando pela janela do carro, absorta em pensamentos.

- Eu gostei e foi meu erro. Perdi a fé em relacionamentos e no momento, sinto-me perdido. As mulheres que convivi até o momento, são todas iguais à Lola e querem se aproximar tirando vantagem por eu ser conhecido.

- Entendi, por isso você armou tudo isso né?

- Sim.

- Mas, se eu for fotografada com você por um paparazzi e isso chegar na mídia, não será um problema?

Por um momento, vi confusão nos seus olhos, demorou alguns segundos até que ele me respondeu:

- Se acontecer, paciência. Na frente do público fingiremos ser um casal.

- O queeee? - Foi mais forte que eu o berro que dei.

- Você está preocupada em aparecer na mídia, com um homem do meu porte e talento? Qual o seu problema? - Me perguntou com o cenho franzido.

- Sou totalmente contra. Não quero arriscar-me.

- O que você iria arriscar?

Por um momento, pensei em responder a "verdade". Mas, a verdade era mais complicada do que aparentava. Será que a "verdade" seria aceita por ele como um bom motivo? Então, fiquei insegura e não respondi.

- Você não vai responder-me? Apresentar um bom argumento para não representarmos diante da mídia?

- Então, o primeiro deles é que não quero expor-me. Isso iria afetar na minha carreira.

- Como iria interferir? Não estou entendendo.

- Me ofereceriam emprego só por namorar você. Não quero isso. - A verdade mesmo é que eu estava protegendo o meu coração. Quanto mais eu passasse tempo com ele, menos o meu coração estaria seguro.

- E isso seria ruim?

- Sim, quero fazer a minha jornada e carreira sem precisar subir nas costas de alguém. Quero reconhecimento e mérito pelo meu esforço.

Dante ficou impressionado com a aluna que estava a sua frente. Era admirável o modo como ela pensava. Como as pessoas não enxergavam isso?

- Entendo, mas é um risco que vamos correr. Ouça, se isso chegar a acontecer e você não querer algum emprego, fale comigo, vou tentar ao máximo te ajudar no que for preciso. Não quero te envolver em polêmicas ou arruinar a sua reputação.

Senhor, por que comigo? Como vou resistir a isso? Plano B Kyra? Pense.

- Quanto mais eu penso sobre isso, mais quero desistir.

- Não tem mais como retroceder. Já nos viram no restaurante e a essa altura, todos da minha empresa, clientes, acionistas já sabem da demissão da Lola e também que eu estava acompanhado no restaurante por uma linda dama.

- É, não tem mais como retroceder. Como fui me meter nisso? - Falei frustrada levando a minha mão a testa, chacoalhando de um lado para o outro negativamente.

- Devido às suas notas? - Ele falou em tom sarcástico.

- Ahhh, e não sei da onde tirou o "linda dama", mas obrigada.

- Você realmente não sabe a beleza que tem né?

Quando ele disse isso, na hora, fiquei com as bochechas vermelhas de vergonha. Dispensar os rapazes da faculdade era fácil (apesar de quase não ter pretendentes), mas homens iguais a esse que tem objetivo e não desiste fácil, era uma droga, uma droga que poderia viciar. - Ooiiii, Kyraaa, sou sua consciência e estou dizendo: corra para as montanhas, isso não vai terminar bem, o seu coração estará destruídoooo...- Chacoalhei a minha cabeça novamente para não ouvir a minha consciência.

- Vou entender como um sim. - Disse Dante.

- Eu não sou como as outras garotas. Não gosto de luxo, sou simples e também não tenho dinheiro para extrapolar por aí.

- Eu sei, mas as suas feições não têm como mudar. Roupas e maquilhagem só realçam a beleza.

- Você está dizendo isso só para me convencer a te ajudar né? - Falei sorrindo.

- Claro que não. Você chamou mais a minha atenção na palestra do que a sua amiga que tanto os professores dizem ser inteligente e bela.

- Sei...

- Ué, quando nos conhecemos, eu quis saber o seu nome, apresentei-me e não quis muito conhecer a sua amiga. Garanto que se eu fizesse a proposta que te fiz, ela não recusaria. Mas, eu gostei do seu gênio, da forma como foi sincera e da sua fisionomia.

- Ta e desde quando uma morena, com olhos castanhos, de 1,68 de altura iria chamar mais atenção que uma loira, com corpo escultural, de olhos verdes?

- Questão de gosto minha cara. Esse perfil que você descreveu sobre si mesma, aos meus olhos, não é ruim. Mas, você não deve se rebaixar por isso. Entendo que a maioria dos homens ficaria encantado com a beleza da sua amiga, porém, nem todos os homens são iguais.

- Ah quem fala, a Lola é Loira dos olhos azuis e corpo escultural. - Soltei uma gargalhada.

- Não é justo julgar-me por um relacionamento mal sucedido.

- Não sei, não conheço as suas outras ex. - Falei com ar de vitória.

- Nem queira conhecer, é só ladeira abaixo.

- Imagino!

- Chegamos! - Disse o GPS.

- Onde eu estaciono?

- Pode fazer o retorno e deixar-me em frente ao prédio "Jardim das flores" nº 70.

Jardim das flores era um prédio simples, com 5 andares, todo amarelo-claro com as janelas de vidro e marquises brancas.

- Qual o seu andar?

- Meu andar é o 5º, apartamento 501. - Falei sem pensar.

- Seu apartamento tem elevador?

- Não, só escadas.

- Posso subir?

- Você quer subir por quê?

- Não vai oferecer-me uma xícara de chá?

Não.

- Se eu não subir hoje, subirei amanhã para finalizarmos o acordo.

- Que acordo? - Falei

- Namorada de aluguel. - Falou piscando para mim.

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